A Polícia Federal prendeu nesta quinta-feira (6), em Manaus, quatro advogados suspeitos de integrar o núcleo jurídico do Comando Vermelho (CV). Segundo as investigações, eles utilizavam o acesso profissional a presídios para repassar ordens de líderes presos, coordenar represálias e movimentar recursos ligados ao tráfico de drogas.
Os investigadores apontam que os advogados também auxiliavam na lavagem de dinheiro e na logística de transporte de entorpecentes vindos da Colômbia, garantindo a continuidade das operações da facção mesmo com chefes detidos ou foragidos. As funções do grupo incluíam ainda a intermediação de acordos entre criminosos de diferentes estados e o elo direto com pontos de venda de drogas no Amazonas.
A ação, batizada de Operação Xeque-Mate, cumpriu quatro mandados de prisão preventiva e cinco de busca e apreensão em endereços residenciais e profissionais. A PF recolheu dinheiro, veículos, documentos e computadores. O objetivo da ofensiva é desmantelar a rede de comunicação entre os líderes da facção e seus subordinados fora das prisões, inclusive com conexões internacionais.
Durante as investigações, a polícia constatou que os advogados simulavam atividades de advocacia para manter contato com presos e garantir o cumprimento de instruções emitidas pelos chefes do CV. As prerrogativas da profissão, segundo a PF, vinham sendo usadas indevidamente para coordenar represálias e movimentar recursos ilícitos.
Em nota, a Ordem dos Advogados do Brasil no Amazonas (OAB-AM) informou que representantes da Comissão de Defesa das Prerrogativas acompanharam o cumprimento dos mandados. A entidade afirmou que eventuais violações às prerrogativas profissionais estão sendo apuradas e que prestará toda a assistência necessária aos envolvidos, reforçando o compromisso com o Estado Democrático de Direito.
Os quatro advogados presos são apontados como ligados a Alan do Índio, considerado o principal líder do Comando Vermelho no Amazonas e um dos 13 conselheiros da facção. Segundo as autoridades, o grupo comanda o tráfico de drogas em vários estados brasileiros e mantém conexões com países da América do Sul.