Foto: Mateus Bonomi/Reuters
Wednesday, 26 de November de 2025 - 07:04:36
Dia é histórico para democracia, mas jogo pode virar com nova composição do STF
CENÁRIO DO STF PODE ALTERAR RUMO DAS CONDENAÇÕES

Os acontecimentos desta terça-feira configuraram um momento simbólico para a democracia brasileira, marcado pela prisão inédita de militares envolvidos na tentativa de golpe — previsões legais incluídas em normas sancionadas pelo próprio ex-presidente Jair Bolsonaro. Mesmo assim, especialistas avaliam que o destino definitivo das condenações ainda pode ser influenciado pela futura formação do Supremo Tribunal Federal, especialmente após as nomeações que serão feitas pelo próximo presidente eleito em 2026.

Para analistas, o país faz agora um acerto de contas com seu próprio passado, lembrando que a República nasceu de um golpe militar e que a história brasileira é permeada por quarteladas. Em 2025, o recado institucional seria o de que não há mais espaço para rupturas dessa natureza. Entretanto, apesar da relevância do momento, o debate jurídico e político de médio prazo apresenta incertezas importantes.

As defesas de Bolsonaro e dos militares condenados planejam recorrer. Avaliam a possibilidade de apresentar embargos infringentes, além de discutir futuramente revisões de sentença. A eficácia dessas investidas, porém, pode depender de quem ocupará as próximas cadeiras do STF. O chefe do Executivo eleito em 2026 indicará três novos ministros, substituindo nomes como Gilmar Mendes e Luiz Fux, o que pode alterar substancialmente o entendimento da Corte sobre o caso da trama golpista.

Com isso, ainda que a atual temporada judicial tenha consolidado prisões e condenações, o cenário de longo prazo permanece aberto. Mudanças na composição do tribunal podem significar revisões ou reafirmações, a depender da orientação ideológica e jurídica dos futuros indicados.

Enquanto essas projeções se desenham, repercussões mais imediatas seguem em curso. O STF já declarou o trânsito em julgado do processo, permitindo o início do cumprimento das penas impostas aos envolvidos. Bolsonaro, por sua vez, permanece em regime preventivo na Superintendência da Polícia Federal, acusado de interferir nas investigações.

Paralelamente, outros desdobramentos mantêm o tema no centro do debate público, incluindo a fuga de parlamentares condenados, questionamentos sobre extradições e a atuação de generais que acompanharam prisões recentes. Em meio a tudo isso, comentaristas observam que, embora o marco desta terça-feira represente um passo decisivo, o futuro jurídico da trama golpista ainda depende das complexas engrenagens políticas que serão acionadas nos próximos anos.

Texto/Fonte: G1