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Segunda, 14 de maio de 2018 - 08:35:33
Empresário paga R$ 1 milhão para deputado aceitar fim de esquema no Detran-MT
Propina
Empresário contou que valores foram pagos através de assessor do deputado

O inquérito policial produzido pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), que resultou na deflagração da Operação Bônus, segunda fase da Operação Bereré, apontou que o deputado estadual Mauro Savi (DEM) teria recebido R$ 1 milhão em propina para que os valores relativos a vantagens ilícitas no esquema que envolvia o Detran-MT, deixassem de serem pagos à Santos Treinamentos. De acordo com o inquérito, o proprietário da EIG Mercados (antiga FDL Serviços), José Henrique Ferreira Gonçalves, teria contratado o executivo Valter José Kobori, preso nesta quarta-feira, durante a deflagração da Operação Bônus.

Uma de suas atribuições seria negociar o fim do esquema, no que dizia respeito da gestão do ex-governador Silval Barbosa. Nesta fase do esquema de propina, os valores eram pagos através da Santos Treinamentos.

Segundo o inquérito do Gaeco, Kobori então passou a fazer viagens para Cuiabá e após isso, informou a José Henrique que o problema de cessar os pagamentos das propinas para a Santos não era em relação aos empresários Marcelo da Costa e Silva e Roque Anildo Reinheimer, mas sim a Claudemir Pereira dos Santos, o “Grilo”, considerado braço direito de Mauro Savi. Em seu depoimento ao Gaeco, José Henrique contou que Kobori então combinou de não fazer mais os pagamentos através da Santos Treinamentos.

A partir daí, os pagamentos foram diretamente a "Grilo" que repassaria os valores para Mauro Savi. O empresário então veio a Cuiabá e agendou uma reunião no escritório de Roque, onde também estavam Marcelo, Kobori e Igor, que era gerente da FDL-EIG, em agosto de 2014.

A presença de Igor teria irritado Marcelo, que se negou a participar da reunião. ”Na reunião o objetivo do interrogando era informar acerca do final dos pagamentos das propinas para a Santos Treinamento, mas no momento em que Marcelo chegou no local, ele viu Igor presente, tendo ele dito que iria embora pois não participaria de reunião juntamente com Igor, tendo tal reunião não si realizada em razão dessa postura de Marcelo”, disse José Henrique, ao Gaeco.

Foi então que José Henrique pediu para que Kobori agendasse uma reunião diretamente com Mauro Savi, encontro esse que foi realizado no mesmo dia, na casa do deputado, as 19 horas. O empresário então informou a Mauro Savi que não iria mais pagar as propinas através da Santos.

Savi, inicialmente, não concordou com o término dos pagamentos, mas por conta da insistência de José Henrique, acabou por aceitar, desde que fosse pago um montante de R$ 1 milhão, valor este que foi pago ao parlamentar, através de Claudemir.

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Texto/Fonte: Folhamax - LEONARDO HEITOR