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Quinta, 10 de maio de 2018 - 14:12:18
Empresário recebe R$ 4 mi em propina para deputado; MPE chama de "espectro"
Fraude milionária
Claudemir Pereira dos Santos, o "Grilo", foi preso na 2ª fase da Operação Bereré

O desembargador do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ-MT), José Zuquim Nogueira, disse que o sócio da Santos Treinamento, empresa que lavava o dinheiro desviado do Detran pela prestadora de serviços EIG Mercados, Claudemir Pereira dos Santos, conhecido como “Grilo”, era o “espectro” do deputado estadual Mauro Savi (PSB) – apontado como o líder da organização criminosa que praticava as fraudes. Os prejuízos aos cofres públicos seriam de mais de R$ 30 milhões, segundo o Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco).

A informação consta do requerimento das prisões ocorridas nesta quarta-feira (9) durante a deflagração da operação “Bônus”, 2ª Fase da “Bereré”, que investiga o esquema no Detran. A Santos Treinamento seria uma empresa fantasma que atuaria no contrato que a EIG Mercados possui com o Detran como uma “sócia oculta” da organização.

“Nessa direção, indica o Ministério Público, que a propina sai da empresa EIG Mercados Ltda., passa pela Santos Treinamento, chega até Claudemir Pereira dos Santos, espectro de Mauro Savi, o qual, a mando deste, dá o direcionamento à propina de modo a beneficiá-lo”, disse o desembargador.

Segundo a denúncia, Claudemir Pereira dos Santos, após receber a propina, emite cheques utilizados para pagamentos pessoais de Mauro Savi. As duplicatas circulam até que uma pessoa, “sem ter conhecimento da origem do dinheiro”, faça seu desconto. O MP-MT também narra que o próprio Claudemir Pereira também repassava os títulos a pessoas de confiança do parlamentar, que realiza seu saque em bancos, efetuando, posteriormente, a devolução do dinheiro em “espécie”.

“Nesta dinâmica, cabe a Claudemir Pereira dos Santos, ao receber a propina, emitir cheques que, segundo o Ministério Público, são utilizados para pagamentos pessoais de Mauro Savi e circulam até que alguém que, sem ter conhecimento da origem do dinheiro faça o desconto dele, ou então Claudemir Pereira dos Santos emite os cheques e os passa a outra pessoa de confiança de Mauro Savi, que realiza o saque no banco e efetua a devolução do valor em espécie”, diz a denúncia do Ministério Público Estadual.

O Ministério Público Estadual apontou que Claudemir “movimentou” cerca de R$ 4 milhões em propina destinada ao deputado Mauro Savi. “Nesta linha, o relatório aponta, ainda, que no período analisado, Claudemir Pereira dos Santos recebeu diretamente da EIG Mercados LTDA. o valor de R$ 3.951.763,47”.

Ainda segundo o MP-MT, todo esse “engenho” seria uma forma eficaz para evitar a produção de provas diretas contra Mauro Savi, “embora sua imagem seja nítida após a montagem do quebra-cabeças”.

“Todo esse engenho, relata o Ministério Público, serve e é eficaz para evitar a produção de provas diretas do recebimento da propina por Mauro Luiz Sav, embora sua imagem seja nítida após a montagem do quebra-cabeças”. 

A operação "Bônus", deflagrada nesta quarta-feira, prendeu o primo do governador Pedro Taques, e ex-secretário-Chefe da Casa Civil, Paulo Taques, o deputado estadual Mauro Savi (PSB), os sócios da Santos Treinamento,  Claudemir Pereira dos Santos e Roque Anildo Reinheimer, além do ex-CEO da EIG Mercados, Valter José Kobori.

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Texto/Fonte: Folhamax