Foto: Divulgação
Segunda, 14 de maio de 2018 - 16:32:06
Esteticista pagaria R$ 7 mil e soube de plásticas pelo Facebook
Fatalidade
Submetida a cirurgia na última quarta, Edleia Daniele Ferreira Lira morreu na tarde de domingo

A esteticista Edleia Daniele Ferreira Lira, 33 anos, que morreu após uma complicação de uma cirurgia plástica pelo programa “Plástica para todos” teria pagado o valor de R$ 50 para entrar no programa e outros R$ 50 para fazer uma consulta médica. De acordo com a Polícia Civil, os familiares da mulher relataram que a cirurgia da vítima foi marcada através de um grupo de WhatsApp e Facebook que cobra a taxa de R$ 50 para entrar, e R$ 50 por consulta.

O valor das duas cirurgias é estimado em R$ 7 mil. Pelo programa “social”, a condição de pagamento é facilitada, podendo ocorrer em várias parcelas.

Os outros procedimentos não foram esclarecidos ainda e serão investigados pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), através da delegada Juliana Palhares. O inquérito policial foi aberto após a suspeita de familiares quanto aos procedimentos cirúrgicos. 

Edleia morreu na tarde deste domingo (13) por conta de complicações de uma cirurgia plástica realizada na última quarta-feira (9).

Conforme boletim de ocorrência, familiares relataram que após a cirurgia de mamoplastia redutora e lipoaspiração, realizada nas dependências do Hospital Militar, Edleia apresentou sangramento nas costas e os dedos estavam brancos. 

Assim que pediram socorro, precisaram aguardar mais de uma hora para receber o atendimento do médico. Segundo eles, os enfermeiros usaram um desfibrilador, bomba manual de oxigênio e adrenalina, para tentar reanimar a mulher.

Edleia foi encaminhada para outra unidade médica, o Hospital Sotrauma, após pagamento de cheque calção no valor de R$ 17,5 mil. Desde então, ela seguia internada em estado grave.

A jovem morreu por volta das 16 horas, em decorrência sucessivas paradas cardíacas, seguida de uma paralisia cerebral e falência múltiplas dos órgãos.

Postagem na rede social

Daniele Bueno como é conhecida na rede social, realizou uma postagem pouco antes de realizar o procedimento. Na postagem, ela brinca com a música de uma cantora brasileira e avisa e um grupo de trocas de experiências pelo mesmo programa “Plástica Para todos”.

“Avisa pra Ludmila que é hoje ... Eu vou operar pelo projeto plástica para todos. Assim que der conto tudo para vocês nesse post”, descreveu  em postagem.

Daniele Bueno é formada em estética e gastronomia. Ela deixa uma filha e uma esposa.

ALERTA 

Por meio de nota, a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica – Regional Mato Grosso afirmou que constantemente faz alertas sobre a atuação de “intermediadores” de procedimentos cirúrgicos, principalmente nas redes sociais. “Reiteradamente a SBCP alerta a população para o risco da atuação de agentes intermediadores, em mídias sociais, e/ou planos financeiros para realização de cirurgias plásticas, fazendo de pacientes objetos de mercância, no interesse vil em detrimento de qualidade e segurança”, diz a nota.

Sobre o caso de Daniele, o órgão afirmou que aguardarás as investigações. “Tem-se por óbvio que qualquer pré-julgamento acerca de fatos não comprovados, se trata de mera especulação e exploração sensacionalista de um momento delicado como tal”, diz a nota.

Íntegra da nota da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica – Regional Mato Grosso:

Considerando o lamentável incidente em procedimento cirúrgico envolvendo a Sra. D.B., ocorrido, segundo informações veiculadas na imprensa, em 14/05/2018, em Cuiabá-MT, a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica – Regional Mato Grosso, manifesta-se com o que segue:

Solidarizamo-nos com a família enlutada.

O entendimento e orientação da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) é pelo fiel cumprimento de normas e critérios científicos que maximizem a segurança do paciente. Reiteradamente a SBCP alerta a população para o risco da atuação de agentes intermediadores, em mídias sociais, e/ou planos financeiros para realização de cirurgias plásticas, fazendo de pacientes objetos de mercância, no interesse vil em detrimento de qualidade e segurança.

Entretanto, a análise da conduta profissional, dos fenômenos orgânicos da paciente, somados às condições estruturais na realização do procedimento elencado, é que trarão uma razão de juízo acerca de causas e efeitos de cada caso concreto. Para tanto, órgãos e autoridades oficiais, são investidos de poderes na emissão de pareceres técnicos fundamentados.

Tem-se por óbvio que qualquer pré-julgamento acerca de fatos não comprovados, se trata de mera especulação e exploração sensacionalista de um momento delicado como tal.

Não obstante, a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, aguarda o pronunciamento conclusivo dos órgãos oficiais acerca dos fatos, para que possa se manifestar tecnicamente sobre o ocorrido e, agir no âmbito de suas funções.

Cuiabá, 14 de maio de 2018.

Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica – Regional Mato Grosso

Texto/Fonte: Folhamax - SUELEN ALENCAR