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Quinta, 01 de fevereiro de 2018 - 16:09:21
Explosivo memorando confidencial aumenta tensão nos EUA
Tensão

As tensões provocadas por um explosivo memorando confidencial sobre a vigilância do FBI à campanha presidencial de Donald Trump se acentuavam dramaticamente nesta quinta-feira (1) entre o presidente americano, o Partido Democrata e a comunidade da Inteligência.

O nó da polêmica que se arrasta há semanas é um memorando de quatro páginas baseado em informações reservadas e redigido pelo titular do Comitê de Inteligência da Câmara de Representantes, o republicano Devin Nunes.

Esse documento se baseia em escutas que o FBI realizou a um integrante da equipe de campanha eleitoral de Trump em 2016, no âmbito geral de investigações sobre a suposta ingerência da Rússia nas eleições presidenciais daquele ano.

Nunes pediu ao presidente uma autorização para tornar o documento público, em um gesto que desatou uma verdadeira tempestade política na capital do país, a ponto de o próprio FBI pedir que o memorando seja mantido em reserva.

De acordo com relatos concordantes, o presidente já leu o documento e a decisão sobre sua eventual publicação poderia ser iminente.

Neste cenário conturbado, o Partido Democrata tomou a iniciativa de criticar Nunes e até pedir sua remoção.

– Reação enérgica do FBI –

O vice-titular do Comitê de Inteligência, o democrata Adam Schiff, denunciou que o memorando que Nunes enviou à Casa Branca para que sua publicação seja autorizada não é o mesmo que essa comissão discutiu extensamente.

“Descobri que o legislador Nunes introduziu mudanças materiais ao memorando que foi enviado à Casa Branca, mudanças não aprovadas pelo Comitê. Por isso, a Casa Branca revisa um documento que o Comitê não aprovou”, assegurou em um tuíte.

Diante dessa denúncia, nesta quinta-feira a titular do partido na Câmara de Representantes, Nancy Pelosi, pediu que Nunes seja removido imediatamente da presidência do Comitê de Inteligência.

Para os republicanos, o memorando deixa evidente que o FBI se nutriu de informações do Partido Democrata para obter autorização à vigilância de um funcionário da campanha de Trump, em um caso evidente de abuso de poder.

Para os democratas, ao contrário, a redação do memorando e sua publicação são apenas uma manobra para enfraquecer o FBI e, com isso, poder questionar a investigação sobre os eventuais laços entre a campanha eleitoral de Trump e funcionários russos.

O procurador especial Robert Mueller conduz uma investigação independente do Departamento de Justiça sobre o suposto conluio da equipe de Trump com a Rússia durante as eleições de 2016. Para essa tarefa utiliza agentes do FBI especialmente escolhidos.

Na quarta-feira, este quadro motivou um momento extraordinário na política americana, no qual o diretor do FBI e o presidente entraram em uma evidente trajetória de colisão.

Christopher Wray foi confirmado no cargo de diretor do FBI somente em agosto, mas na quarta-feira se manifestou publicamente contra a divulgação do memorando, apesar de horas antes o próprio Trump ter comentado com um legislador que apoiava “100%” a sua difusão.

– Consequências da polêmica –

Na Casa Branca, interlocutores próximos ao presidente apontam que Trump está convencido de que o FBI e o Departamento de Justiça levam adiante uma operação de vingança contra ele.

Segundo assegurou uma fonte à rede CNN, Trump chegou a perguntar a Rod Rosenstein, vice-procurador-geral (número dois do Departamento de Justiça), se ele fazia parte de sua “equipe”.

Nos corredores do Congresso, legisladores republicanos já defendem abertamente a suspensão da investigação conduzida por Mueller, que foi apontado por Rosenstein para essa tarefa.

“Toda essa investigação de Mueller é uma ficção que nunca deveria ter sido lançada”, disse o legislador republicano Matt Gaetz à rede de televisão FoxNews.

No entanto, Michael Hayden, ex-diretor da Agência Central de Inteligência (CIA), lamentou as consequências que essa polêmica terá sobre a legitimidade do FBI e dos programas de vigilância e interceptação de conversas.

“Temo que essa situação estritamente partidária provoque danos enormes a todas as instituições, do Congresso à Presidência, passando pelo FBI”, comentou o ex-funcionário à rede pública NPR.

Texto/Fonte: IstoÉ