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Tuesday, 25 de November de 2025 - 19:16:29
Mensagens mostram antecipação de duas perguntas não anuladas pelo Inep
DIVULGAÇÃO DE QUESTÕES DO ENEM

As mensagens atribuídas ao estudante Edcley expuseram, meses antes do Enem 2025, duas questões que mais tarde apareceriam na prova oficial sem sofrer anulação. Em resposta enviada nesta terça-feira (25), o Inep reiterou que não irá invalidar outros itens além dos já divulgados.

O episódio ganhou visibilidade depois que prints revelaram que, em março deste ano, Edcley compartilhou em um grupo de WhatsApp duas situações-problema que, posteriormente, surgiram quase idênticas no exame de novembro. A primeira tratava de probabilidade em lançamentos de dados; a segunda, de cálculos de concentração em soluções. Ambas foram consideradas válidas pela banca e permanecem no gabarito.

Segundo o próprio Inep, as perguntas correspondem aos itens de probabilidade — número 178 da prova azul (e equivalentes nas demais cores) — e à questão sobre solução com 99,90% de concentração — número 140 da prova azul. A autarquia afirmou que não houve comprometimento da integridade técnica do Enem 2025 e que as coincidências não configuram motivo para novas anulações.

A dinâmica pela qual Edcley teria tido acesso às perguntas envolvia o Prêmio Capes de Talento Universitário, que utiliza itens semelhantes a pré-testes empregados no banco de questões do Enem. Ele passou a incentivar a participação de universitários no concurso e, segundo as investigações, oferecia pagamentos mínimos para que eles memorizassem as perguntas e repassassem os conteúdos. Com esse material, montou um acervo utilizado em mentorias particulares.

As conversas mostram que, em 17 de março, Edcley indicou aos alunos que marcassem a resposta “125/216” caso encontrassem uma questão sobre lançamento de dados. Oito meses depois, o Enem apresentou exatamente esse cálculo como gabarito correto. No mesmo período, ele divulgou no grupo a situação da solução de 99,95% — que reapareceu na prova com a mesma estrutura numérica, apesar de pequenas mudanças na unidade de medida.

Após a aplicação oficial, Edcley comemorou os “acertos” no grupo. Em mensagens recuperadas pelos próprios alunos, ele resgatou seus envios de março e mencionou que “todos” teriam acertado os itens. Prints dessas conversas circularam nas redes sociais e foram citados pelo estudante em seus próprios stories publicados entre 17 e 18 de novembro.

O estudante, porém, negou qualquer conhecimento prévio sobre a inclusão das questões no exame. Em entrevista ao Fantástico, disse que as coincidências foram “pontuais” e que não teve acesso antecipado ao conteúdo final. O g1 já havia mostrado que outras seis questões também apareceram nos materiais distribuídos por ele antes da prova.

Em declarações nos últimos dias, o ministro da Educação, Camilo Santana, reafirmou que o processo do Enem segue normalmente, com os dois gabaritos já divulgados e o resultado final previsto para janeiro de 2026. Manuel Palacios, presidente do Inep, defendeu que não houve risco técnico de fraude e que nenhum candidato foi prejudicado.

Segundo o Inep, a eventual memorização de itens pré-testados “não compromete a integridade do exame”, já que o banco de questões reúne milhares de itens e apenas uma pequena fração é utilizada em cada edição. Por isso, a autarquia não vê necessidade de ampliar o número de anulações.

Texto/Fonte: G1