Foto: Magdalena Wosinska
Thursday, 27 de November de 2025 - 10:04:08
Milionário dos EUA testa choques, anel peniano e dezenas de comprimidos por dia para tentar desacelerar o envelhecimento
POLÊMICAS DA LONGEVIDADE RADICAL

O empresário Bryan Johnson, conhecido por transformar o próprio corpo em um experimento de longevidade, já submeteu-se a uma série de práticas extremas — desde o uso de anel peniano até sessões com milhares de choques elétricos semanais. Ele também chegou a ingerir mais de 100 comprimidos por dia, adotou refeições restritas ao período da manhã e utilizou um boné equipado com luz vermelha para estimular o crescimento dos fios. Transfusões de plasma do próprio filho, sem benefício comprovado, também integraram o repertório.

Em maio, Johnson afirmou estar recebendo 4.500 choques corporais três vezes por semana como parte de uma terapia que ele considera aliada do projeto pessoal de rejuvenescimento.

Quem é Bryan Johnson

Com patrimônio estimado em US$ 400 milhões, segundo dados de 2023 divulgados pela revista Fortune, Johnson começou sua trajetória ao fundar a Braintree em 2007, plataforma de pagamentos vendida ao PayPal por US$ 800 milhões seis anos depois. Em 2016, lançou a Kernel, empresa que desenvolve interfaces cérebro-máquina com a promessa de tornar tratamentos neurológicos mais acessíveis por meio de um capacete de leitura cerebral comercializado por cerca de US$ 50 mil.

O empresário relata ter enfrentado depressão e compulsão alimentar após o sucesso no Vale do Silício. A virada, segundo ele, ocorreu ao deixar a Braintree e dedicar-se ao que chama de “protocolo Blueprint”, um regime rigoroso que transformou sua rotina e o tornou uma figura de destaque — e de controvérsia — no debate sobre longevidade.

O que é o protocolo Blueprint

O Blueprint funciona como um conjunto de regras rígidas voltadas a retardar o envelhecimento, com monitoramentos diários e intervenções diversas. Entre as práticas, estão:

  • acordar às 4h30 e dormir às 20h30;

  • exercícios diários de uma hora;

  • sessões regulares de sauna;

  • administração de ondas de choque no corpo;

  • uso de luz infravermelha no rosto;

  • dieta vegana limitada a 2.250 calorias;

  • abstinência total de álcool, gorduras e doces;

  • última refeição às 11h;

  • ingestão de 54 comprimidos — incluindo vitaminas e medicamentos.

As rotinas que deixaram de funcionar, bem como novos testes, são relatados nas redes sociais, onde Johnson acumula mais de 2 milhões de seguidores no Instagram e quase 2 milhões no YouTube. Ele também criou a marca Blueprint, com produtos que prometem prolongar a vida, entre eles um azeite vendido por US$ 35.

Método sob questionamento

Especialistas têm levantado dúvidas sobre a eficácia e a segurança de grande parte dessas práticas. Médicos criticam tanto o número excessivo de suplementos quanto a rigidez alimentar. O próprio Johnson já admitiu que uma substância testada acelerou seu envelhecimento.

O empresário virou personagem do documentário Don't Die, de 2023, no qual afirma ter reduzido sua idade biológica em 5,1 anos. No entanto, reportagens do New York Times citam estudos indicando que ele envelheceu o equivalente a uma década entre 2022 e 2024.

Documentos obtidos pelo jornal revelaram que um levantamento interno com 1.700 consumidores de produtos Blueprint registrou reações adversas em mais de 60% dos casos, incluindo quadros de pré-diabetes. O ex-médico responsável pelo protocolo, Oliver Zolman, deixou o projeto temendo os efeitos dos suplementos comercializados pela marca.

Disputa judicial com a ex-esposa

Johnson também enfrentou um processo movido por sua ex-mulher, a cineasta Taryn Southern, que alegou manipulação emocional e falta de apoio financeiro após ser diagnosticada com câncer. Ele venceu a ação e a processou de volta por suposta violação de acordo de confidencialidade. A Justiça determinou que ela pagasse US$ 584 mil.

Hoje, o empresário de 45 anos afirma gastar cerca de US$ 2 milhões ao ano na busca por “voltar a ter 18 anos”, mantendo sua cruzada pela longevidade extrema como espetáculo público — e alvo crescente de críticas.

Texto/Fonte: G1