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Sexta, 21 de outubro de 2016 - 08:00:16
MPE denuncia 17 por formação de quadrilha e desvios de R$ 15 mi em MT
EXCLUSIVO NA OPERAÇÃO SODOMA
Juíza Selma Arruda decidirá se acusados se tornarão réus

O Ministério Público Estadual de Mato Grosso (MPE) ofereceu denúncia na quarta-feira contra 17 pessoas na Ação Penal relativa a quarta fase da Operação Sodoma, deflagrada no dia 26 de setembro. O foco da Operação é o desvio de dinheiro público realizado através da desapropriação de um imóvel que corresponde ao bairro Jardim Liberdade, em Cuiabá, paga na gestão do ex-governador Silval Barbosa, durante o ano de 2014. O processo foi enviado para a juíza Selma Rosane dos Santos Arruda, da Sétima Vara Criminal.

Foram denunciados o ex-governador Silval Barbosa, Pedro Jamil Nadaf (ex-secretario chefe da Casa Civil), Francisco Gomes de Andrade Lima Filho (procurador de Estado aposentado), Marcel de Cursi (ex-secretário de fazenda), Arnaldo Alves de Souza Neto (ex-secretário de Planejamento), Afonso Dalberto (ex-presidente do Intermat), além do proprietário do imóvel Antônio Rodrigues Carvalho, seu advogado Levi Machado e o empresário Valdir Piran.

Também estão na lista de denunciados Karla Cecilia de Oliveira Cintra (assessora da Fecomércio), José de Jesus Nunes Cordeiro (ex-secretário adjunto de Administração), Sílvio Cezar Corrêa Araujo (ex-chefe de gabinete de Silval Barbosa), Pedro Elias Domingos de Mello (ex-secretário de Administração), Rodrigo da Cunha Barbosa (médico e filho do ex-governador Silval Barbosa), Cesar Roberto Zilio (ex-secretário de administração), Alan Ayoub Malouf (empresário) e João Justino Paes de Barros (ex-presidente da Metamat).

Todos responderão pelos crimes de constituição de organização criminosa, crimes contra a administração pública, fraude a licitação, falsidade ideológica, coação processual e lavagem de dinheiro. Na denúncia, Ana Cristina Bardusco destaca o papel de liderança do ex-governador Silval Barbosa. “Os trabalhos realizados evidenciam que Silval da Cunha Barbosa, na condição de líder da organização criminosa, era o responsável por articular e coordenar as ações dos demais integrantes, que atuavam com o propósito de blindá-lo”, diz trecho da denúncia obtida com exclusividade pelo FOLHAMAX.

A operação conta com quatro colaboradores premiados. São eles: os empresários Filinto Müller Coutinho e Antônio Rodrigues Carvalho, o ex-presidente do Intermat, Antônio Dalberto, e ainda Gabriel Gaeta, advogado que elaborou contrato entre o advogado Levi Machado e Antônio Carvalho. O ex-secretário Pedro Nadaf também confessou ter participado do crime. 

A FRAUDE

As investigações mostraram que o pagamento da desapropriação da área onde está localizado o bairro Jardim Liberdade, nas imediações do bairro Osmar Cabral, à empresa Santorini Empreendimentos Imobiliários Ltda, proprietária do imóvel, se deu pelo propósito específico de desviar dinheiro público do Estado de Mato Grosso em benefício da organização criminosa liderada pelo ex-governador.

A Procuradoria Geral do Estado constatou que houve superfaturamento de cerca de R$ 14 milhões no pagamento da desapropriação. A área foi avaliada em R$ 17,875 milhões, enquanto o Estado pagou 31,715 milhões.

De todo o valor pago pelo Estado pela desapropriação, o correspondente a 50%, ou seja, R$ 15.857.000,00, retornaram aos agentes públicos via empresa SF Assessoria e Organização de Eventos, de Propriedade de Filinto Müller.

De acordo com a investigação, a maior parte do dinheiro desviado, no montante de R$ 10 milhões, pertencia ao chefe Silval Barbosa, ao passo que o remanescente foi dividido entre os demais participantes, no caso os ex-secretários, Pedro Nadaf, Marcel De Cursi (Fazenda), Arnaldo Alves de Souza Neto (Planejamento), Afonso Dalberto (Intermat) e o procurador aposentado Chico Lima.

Por conta das fraudes, a juíza Selma Arruda decretou a prisão preventiva de seis acusados no mês de setembro. Tiveram novos mandados Silval Barbosa, Marcel de Cursi e Sílvio Correa. Ainda foram detidos Arnaldo Alves de Souza, Valdir Piran e Francisco Gomes de Andrade Lima Filho.

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Texto/Fonte: MTUOL com MPE/MT