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Quarta, 25 de maio de 2016 - 09:49:53
Produtor rural faz greve de fome em frente ao TJ
Situação Difícil.

Clayton Arantes, de 57 anos, é produtor rural e está acampado fazendo greve de fome em frente ao Palácio da Justiça, em Cuiabá, desde essa terça-feira (24). Ele está ingerindo apenas água em isotônicos. O protesto é para que seu processo, que corre na justiça desde 2009 e já foi sentenciado, seja finalmente finalizado.

A família do Clayton tinha uma área em Sinop (500 km ao norte de Cuiabá) que sofreu um grilo jurídico. Clayton explica que comprou a fazenda e, em 2009, o antigo dono articulou manobras com ajuda do poder judiciário para lhe tomar a área de volta.

Em 2011, o produtor rural já havia feito o mesmo protesto denunciando o, até então, juiz Paulo Martini como vendedor de sentenças. Ele quem julgou o caso. À época, Clayton conseguiu uma liminar que permitia sua família permanecer na fazenda, mas foi derrubada em dezembro de 2012 pelo desembargador Sebastião de Morais.

Também em 2011, Arantes entrou com uma ação rescisória para reverter a decisão do juiz, que foi tomada em segunda instância. Em março de 2013 a família de Clayton foi retirada com ordem judicial. Em abril do ano seguinte aconteceu o julgamento, o qual Clayton e a família ganharam na votação do pleno do tribunal com 5 votos a favor e 1 contra.

“O que deveria ter acontecido? A ordem de reintegração de posse. Até agora isso não aconteceu”, lamenta Clayton, explicando o motivo do novo protesto.

Atualmente, ele vive em Goiás por conta de diversas ameaças. “Eu sou gerente de uma fazenda lá. Na minha propriedade eu tinha quase 60 funcionários. Produzindo, eu estaria alimentando, no mínimo, 10 famílias”, afirma.

A situação judicial ainda teve consequências na vida pessoal de Clayton. “Minha esposa se separou de mim. Já sofri 2 infartos, em 2013 e 2015, não posso ter o terceiro. Tomo 12 remédios diariamente. Meu advogado não atende mais minhas ligações porque estou devendo os honorários, não tenho como pagar”, complementa o produtor.

“Quanto mais demora, mais danos financeiros e morais a gente sofre. Não posso aguardar esse caminhar lento da justiça”, diz Clayton, que ainda aponta a corrupção dentro do poder judiciário no Estado como mais um motivo de seu protesto.

“Minha denúncia contra o Paulo Martini chegou a ser arquivada. A corregedora Maria Erotides quem reabriu, e levou ao afastamento dele. Agora está sob recurso. Ele está tentando voltar a ser juiz. Espero que nunca consiga. Decisões não acontecem porque há oposição de alguns, que não deixam acontecer. É um lobby”, diz Clayton.

Clayton aguarda desde maio de 2014 o julgamento do recurso de embargos infringentes, que depende da votação do pleno. Assim que julgado, a ação volta para Sinop e a reintegração de posse poderá ser efetivada. A próxima votação acontece no dia 02 de junho. “Minha ideia é ficar aqui até esse momento. Eu estou preparado para ficar até 20 dias sem comer, que é o que um ser humano consegue”, afirma Clayton, confiante.

Texto/Fonte: Gazeta Digital