A partir desta quarta-feira (27), a Sabesp vai reduzir a pressão da água em toda a Região Metropolitana de São Paulo das 21h às 5h, medida definida pela Arsesp (Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado). O objetivo é diminuir vazamentos subterrâneos ainda não identificados e preservar os reservatórios, em meio ao baixo nível dos mananciais provocado pela estiagem.
Segundo a Arsesp, a economia prevista é de 4 mil litros de água por segundo, até que os níveis das represas se recuperem. Na terça-feira (26), o Sistema Cantareira operava com 35,7% da capacidade, enquanto a média geral dos reservatórios era de 38,2%. O cenário, embora menos grave que em 2014, é comparável ao de 2021, ano de forte crise hídrica no estado.
De acordo com a Sabesp, imóveis com caixa-d’água tendem a sentir menos os efeitos da medida, aplicada justamente no período de menor consumo. No entanto, moradores já enfrentam dificuldades. No Itaim Paulista, extremo leste da capital, a aposentada Teresa Godois relatou que a falta d’água durante a noite é recorrente e especialmente complicada para famílias com pessoas doentes. O técnico de edificações Paulo Roberto afirmou que o abastecimento já costuma cessar por volta das 22h30 e só retorna às 4h30. “Se já ficamos sem água por seis horas, imagina oito. Isso preocupa bastante”, disse.
O diretor-presidente da Arsesp, Thiago Mesquita Nunes, reconheceu que parte dos usuários pode notar torneiras secas durante a madrugada, mas reforçou que o fornecimento será retomado no início da manhã. A companhia, recentemente desestatizada pelo governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos), reiterou a necessidade do uso consciente da água.
A estiagem prolongada intensifica o quadro. Agosto é tradicionalmente o mês mais seco do ano e, até agora, choveu apenas 8% do esperado. A irregularidade das chuvas vem desde 2023: nos dois últimos períodos chuvosos, os volumes não foram suficientes para recompor os estoques. Em 2024, os reservatórios perderam 617 milhões de litros, e as chuvas seguintes recuperaram apenas 177 milhões. Na seca atual, a perda já alcança 380 milhões de litros.
As represas que abastecem a Grande São Paulo dependem do regime de chuvas entre outubro e março para acumular água suficiente para todo o ano. Com a sequência de períodos abaixo da média, o abastecimento segue pressionado e a redução da pressão da rede surge como medida emergencial para mitigar perdas.