Foto: Polícia Civil/Divulgação e Ronaldo Bernardi/Agência RBS
Thursday, 27 de November de 2025 - 09:38:48
Transportadora é suspeita de trazer drogas de 7 estados do país ao RS
OPERAÇÃO CONTRA TRÁFICO NO RS

A Polícia Civil deflagrou, na manhã desta quinta-feira (27), uma operação para desarticular uma organização criminosa acusada de usar uma transportadora de Canoas, na Região Metropolitana de Porto Alegre, como rota para levar drogas de ao menos sete estados até o Rio Grande do Sul. O nome da empresa, sediada no município, não foi divulgado pelas autoridades.

Até a última atualização, 45 pessoas haviam sido presas, incluindo o proprietário da transportadora e o filho dele — que já cumpria pena por outro crime em uma unidade prisional. Os agentes também apreenderam cerca de R$ 100 mil em espécie, armas e entorpecentes. Durante o ano de investigação, a polícia constatou ainda a comercialização de laudos toxicológicos falsificados para caminhoneiros ligados ao esquema.

Ao todo, estão sendo cumpridas 153 ordens judiciais: 53 prisões preventivas, 54 bloqueios de contas bancárias, além do sequestro de dois imóveis e de oito veículos de luxo, entre eles modelos da Porsche. O montante bloqueado chega a R$ 39.373.542,86, sendo R$ 1,5 milhão apenas em bens de alto valor.

As diligências se estendem por 15 cidades distribuídas entre Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rondônia, São Paulo e Bahia. No RS, há ações em Porto Alegre, Canoas, Caxias do Sul, Santo Antônio da Patrulha, Taquara, Cachoeirinha, Charqueadas, Alvorada e Arroio do Meio. Outros alvos ficam em Jaraguá do Sul, Camboriú e São José (SC), além de Rio de Janeiro, Porto Velho e Salinas.

Segundo os delegados Adriano Nonnenmacher e Rafael Liedtke, a quadrilha era responsável por grande parte da distribuição de maconha no estado. Mais de cinco toneladas da droga foram apreendidas ao longo da investigação. Eles explicam que os presos incluem o líder do grupo, gerentes operacionais e financeiros, além de laranjas e criminosos com histórico de assaltos a banco e homicídios. Também foram identificadas duas lideranças de facções gaúchas que colaboravam com o esquema, o que levou os investigadores a se referirem a um “consórcio” entre organizações para financiar e manter o tráfico.

Para esconder a origem ilícita dos valores movimentados, os envolvidos compravam imóveis, veículos de luxo e criavam empresas fictícias, além de utilizar contas de terceiros e realizar transferências para outros estados. Os delegados afirmam que chamou atenção o recrutamento de pessoas com graves antecedentes, uma estratégia para tentar dificultar a detecção das atividades criminosas pelos órgãos de fiscalização.

Texto/Fonte: G1