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Quarta, 23 de março de 2016 - 07:38:03
Estado já admite atrasar salários e não honrar reajuste com servidores
CRISE ECONÔMICA
Governo do Estado admitiu que pode vir a atrasar o pagamento do salário dos servidores públicos. A informação é do secretário de Fazenda, Paulo Brustolin.

Em reunião com o Fórum Sindical na manhã desta terça-feira (22), o Governo do Estado admitiu que pode vir a atrasar o pagamento do salário dos servidores públicos. A informação é do secretário de Fazenda, Paulo Brustolin.


De acordo com ele, as datas de pagamento serão discutidas mês a mês em reuniões com o Fórum Sindical. O fato é reflexo da crise econômica que assola o país desde o final de 2014. “Vamos ter que avaliar o caixa mês a mês para poder informar a data de pagamento, e isso será discutido em nossas reuniões. Precisamos ser realistas que a crise levou a uma desaceleração na economia, pagando-se menos impostos e com isso uma grande parcela dos estados está vivendo uma situação muito difícil”, explicou o secretário.


Neste mês, o pagamento será efetuado no dia 31. O anúncio foi feito logo no início da reunião marcada para discutir a Recomposição Geral Anual (RGA) e o calendário de pagamentos dos servidores públicos.


Na oportunidade, Brustolin relatou aos servidores a atual situação econômica do país e o quanto ela está afetando Mato Grosso. O secretário afirma que, apesar de todas as dificuldades que o Estado vem enfrentando, o servidor tem sido prioridade da gestão. “Estamos vivendo um momento de crise, mas nem por isso deixamos de enfrentá-la. O salário de janeiro foi pago dia 30, o salário de fevereiro foi pago dia 29, e nós estamos fazendo um esforço gigante para pagar o salário no dia 31 de março, isto porque para o Governo do Estado o pagamento do salário do servidor é prioridade”, ressaltou.

 
O secretário de Gestão, Júlio Modesto, também participou do encontro. Juntos, eles ainda apresentaram e explanaram aos servidores a proposta feita pelo Ministério da Fazenda aos estados em relação à renegociação da dívida atual existente. 
Em relação ao Reajuste Geral, o secretário Júlio Modesto enfatizou que é necessário fechar o trimestre e iniciar as conversações sobre o assunto na reunião que será realizada em abril. “Nós precisamos conversar muito sobre isso, analisar o cenário do trimestre, ver como ele se comportou e trazer uma apresentação aberta e detalhada pela Câmara Fiscal para vocês. Hoje o recado é: nós não temos definição sobre o pagamento. Considerando a situação de hoje, não daria para pagar”, concluiu.


Também foi decidido que na próxima reunião serão apresentados os números da Receita do Estado e que compõem as informações em relação à Lei de Responsabilidade Fiscal. “Será feita uma prestação de contas com todos os detalhamentos que forem solicitados pelo Fórum Sindical. Este é um governo transparente e não há o que esconder. Traremos os números na próxima reunião a ser realizada no início do abril”, finalizou Brustolin.


O presidente do Sindfisco e coordenador do Fórum Sindical, Ricardo Bertolini, avaliou como preocupantes as informações apresentas pelos secretários de Fazenda e Gestão durante a reunião, mas também de comprometimento do Governo com os servidores públicos. “É uma situação de transparência. O Governo deve realmente agir assim, trazendo aos seus servidores a real situação financeira do Estado. Eu sei que alguns outros estados não tratam essa situação de crise dessa forma, conversando com os servidores e com os sindicatos, por isso vejo essa atitude do Governo como positiva”, concluiu.


A nova reunião deverá ser marcada para a primeira semana de abril, conforme a disponibilidade na agenda dos secretários de Fazenda, Gestão e Planejamento. 

Texto/Fonte: KAMILA ARRUDA